MLK: Algumas pessoas, não eu, estão preocupadas.
R: Com?
MLK: Vc.
R: Comigo?
MLK: Hm. Elas deveriam?
R: Não que eu saiba. As coisas andam na verdade, como é mesmo aquela expressão? "Tão bem que parece que a qualquer momento o Inferno vai abrir suas portas e engolir tudo transformando o que era algo bom e belo num mar de fogo e destruição".
MLK: ...
R: Ou algo assim.
MLK: E então, por que sumiu desta vez?
R: Porque é isso que eu faço. Eu sumo. Veja, Sr.King, depois de uns 5 anos convivendo comigo as pessoas, mesmas as mais burras... Oi, Herbert.
H: Olá.
R: Mesmos as mais burras, acabam percebendo e fazendo aquela pergunta.
P: Como é que eu te conheço faz um tempão e vc não envelheceu um só dia?
MLK: Ah, isso.
R: É. Isso.
H: E por que não diz a verdade?
R: Daqui a alguns anos não precisarei dizer nada. Tudo será explicado, mas até lá...
MLK: Até lá?
R: Algumas coisas não terão respostas.
H: "Um homem pode viver dias sem água"
MLK: "Semanas sem comida"
R (SORRINDO): "E uma vida inteira sem uma resposta"
Adeus, foi divertido!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
O Quadro (para Elaine)
Eu te amo.
Foram essas as últimas palavras que ele havia escutado antes de ser abordado, espancado, seqüestrado e finalmente amarrado, pulsos e calcanhares, numa cadeira.
Mesmo com a capacidade de seus sentidos consideravelmente reduzida pela dor e confusão, concluiu que estava num quarto bem iluminado e que não estava sozinho. Poderia deduzir mais, mas decidiu que era melhor permanecer imóvel, fazer seus captores acharem que continuava desmaiado, ganhar tempo até pensar num modo de escapar.
Foi quando se lembrou que um pouco antes de apagar, escutou um grito.
O grito dela.
Precisou de todo seu auto-controle para permanecer quieto. Juntos haviam planejado sua “fuga”: as passagens já estavam em cima da televisão, as malas prontas. Deviam ter ido embora, mas ela quis escrever uma carta de despedida. Explicar para seu marido que não estavam levando um centavo dele e que não podia esperar um divórcio porque... bom, porque ela havia se casado com um maluco milionário que preferiria matar, a perdê-la.
− O recorde de ficar sem piscar os olhos é de quatro minutos e trinta e dois segundos. Essa informação poderia salvar a sua vida. Mas não vai.
A voz era fraca e o que ela havia dito era tão absurdo que por um momento ele acreditou que sua origem era de um programa de rádio. Mas vozes saídas de aparelhos não produziam mau hálito.
− O senhor é tão burro que está segurando a respiração desde que recobrou os sentidos. Acha que desmaiados não respiram? Desmaiados respiram. Mortos é que não. − a voz estava mais próxima, assim como o fedor de seu dono. − Posso dizer com exatidão o momento em que acordou. Fingir que continua desmaiado vai apenas adiar e não evitar os acontecimentos. Eu poderia... Ah, que se dane. Corte um dedo dele. O mindinho.
Ele abriu os olhos, e sem surpresa alguma, imediatamente se arrependeu. Estava mesmo num escritório, e sim, era bem iluminado. Amarrado não dava para saber o tamanho real do local, mas não parecia ser muito grande. Um típico escritório de um ricaço se já tinha visto algum em sua vida. E na sua frente, o próprio ricaço em pessoa. Sentado numa cadeira de rodas, cobertor de flanela vermelha nos joelhos e um sorriso cruel nos lábios secos.
Já tinha visto o velhote de relance umas duas vezes quando a porta da limusine abria o suficiente para buscar sua esposa. E atrás dele algo que poderia ser um armário em formato vagamente semelhante a um ser humano ou um ser humano com o tamanho e a aparência de um armário.
− É claro que a culpa foi minha. − o velho continuou seu pequeno monólogo. Aparentemente, havia esquecido a ameaça de amputação. − O que uma mulher jovem e linda como ela iria querer comigo? Mas o que é certo é certo, e algo precisa ser feito. Pode imaginar para um homem em minha posição o que... − nesse momento, um violento acesso de tosse quase o faz pular para fora de sua cadeira. − Desculpe. Disse... disse alguma coisa?
− Não a machuque. Por favor.
As palavras saíram com dificuldade. Em parte pelo medo, mas principalmente pelo estado físico em que ele se encontrava. Agora que não precisava mais ficar parado, podia sentir melhor os diversos tipos de dor que seu corpo sofria. Alguns dentes haviam desaparecido de sua boca. Costelas quebradas? Pode apostar. E o lado direito de seu rosto estava sem sensibilidade alguma. Provavelmente, isso era uma boa notícia. Talvez a única.
O velho pareceu ficar legitimamente admirado com o pedido. Fez sinal com seu indicador e o armário humano empurrou a cadeira para frente.
− Dou a minha palavra que ela está fora disso. O meu negócio agora é somente com o senhor e mais ninguém.
− Obrigado.
Mais um sinal e a cadeira voltou a posição inicial.
− Tive uma vida boa. Uma vida completa e boa. Mas não soube envelhecer. Não vi a graça de envelhecer e quis manter... coisas que não precisava e que não poderia mais aproveitar. − fez uma pausa e girou sozinho a cadeira, ficando quase totalmente de costas para sua platéia. − Olhe pra este lugar. Todos estes objetos... Olhe.
Armaduras, vasos grandes e feios, armas medievais e animais empalhados. Um pequeno museu que representava toda uma vida. Pela primeira vez, o jovem enxergava aquele velhote como um ser humano. Algo mais do que a caricatura de um homem rico casado com uma mulher ridiculamente mais jovem.
− Sabe o que são? Medalhas. Cada objeto tem uma história interessante por trás, mas o campeão... é este aqui. − nesse momento, ele apontou, esticando o braço, para uma grande cortina vermelha, obviamente num lugar de destaque. − É um quadro. Um quadro muito especial.
A reação dele e do seu guarda-costas era peculiar. Os dois estavam solenes, como se estivessem na presença de alguém, alguém importante, e não de um simples objeto. Quase como se estivessem com...
... medo?
− Trouxe comigo da África. Mais ou menos quando tinha a sua idade. Mas não estou sendo exato. Eu chamo de quadro, mas na verdade é um escudo. Um escudo feito com a pele de um homem muito, muito mau. − ele dá uma risadinha e tem um novo acesso de tosse. − Tão mau que seu espírito permaneceu preso nele.
− No quadro?
− Exatamente! Preso no quadro.
− Loucura.
Num movimento que surpreenderia qualquer um pela sua velocidade, o velho retira uma bengala com ponta de aço debaixo do seu cobertor e acerta na lateral da cabeça do seu prisioneiro, derrubando ele juntamente com a cadeira.
− Olhe o nível. Não estrague tudo agora sendo rude. É uma situação desagradável o suficiente. − olha para seu empregado. − Estou cansado. Mostre para ele, mostre agora.
O armário humano vai em direção ao jovem que se encolhe instintivamente. Como se ele e a cadeira não fossem mais pesados do que um lápis, são colocados em pé. E então, com mais facilidade ainda, o jovem é virado para trás, para o lado do escritório que ainda não conhecia.
E chora.
Na sua frente, amarrada numa cadeira idêntica a sua, está ela. Flashes de imagens dela sorrindo em diversos momentos do último e maravilhoso ano intercalados com aquela imagem grotesca. Seus olhos e sua boca abertos, na mais perfeita expressão de terror. E em seu tórax... um buraco. Grande o suficiente para poder ser transplantado nele uma televisão. Misericordiosamente nem uma única gota do sangue que da cintura para baixo estava cobrindo virtualmente cada centímetro de sua pele e suas roupas, não haviam maculado seu rosto. Mas havia algo de errado com seus cabelos. E então ele percebeu: não tinham mais aquele adorável tom dourado. Cada fio, o cabelo todo dela estava branco.
− Agora, preciso que preste atenção. É simples: o maldito quadro está vivo. Assim que olhar para ele, ele vai olhar de volta para você. E quando isso acontecer, será seu fim. Porque... está prestando atenção? − se vira e pergunta para seu ajudante. − Ele está prestando atenção?
O sujeito ergue novamente a cadeira, novamente voltando o jovem para seu captor e para a cortina vermelha.
− Compreendeu sua situação? Olhe para o quadro e ele o matará! Escutou bem? Não? Ah, outro inútil. São todos inúteis. Vamos embora. Isso é nojento.
O jovem continua chorando e mal percebe quando os dois se retiram deixando ele sozinho. Muito menos o momento quando o velho agarra o cordão amarelo preso na cortina e sai arrastando o pedaço de pano para fora do escritório, deixando agora o quadro totalmente exposto.
Mal a porta se fecha, o jovem pára de chorar e sua expressão se transforma.
Matar aquele miserável ou morrer tentando.
Esse era o único pensamento, o único objetivo e haveria apenas uma única oportunidade. Repassou o plano em sua mente buscando falhas, se havia era tarde demais, porque nesse momento ele se joga no chão e começa a golpear com todas as partes ainda móveis de seu corpo. As cordas não iriam ceder, eram grossas demais. Mas a cadeira era outra história: havia escutado como ela rangeu antes, quando foi lançada ao chão junto com ele da primeira vez.
Seus movimentos eram fortes, mas também eram desordenados e poucos estavam gerando qualquer efeito. Sem se importar com as conseqüências, urra audivelmente, torcendo os pulsos e os calcanhares. Quando as cordas começam a cortar sua carne, ele apenas ri.
Continua assim até que suas forças acabam e então percebe... seu sangue havia umidificado as cordas e elas estavam finalmente cedendo um pouco. Podia ser ilusão ou um objetivo impossível, mas seus movimentos finais iriam fazer aquelas malditas cordas cederem ou ele estava preparado a cerrar seus pulsos até os ossos aparecerem.
Não precisou tanto e mal pode acreditar quando finalmente soltou uma de suas mãos. Logo estava totalmente livre da cadeira e pronto para escapar dali.
Foi quando percebeu que o quadro estava olhando para ele.
O quadro, o escudo, devia ter quase dois metros de comprimento. Se era ou não feito de pele humana, a textura definitivamente tentava passar essa impressão. A moldura era uma bagunça de grandes penas negras amarradas com cipó. A pintura em si era escura. Basicamente usava apenas duas cores: verde escuro e preto. A imagem era definitivamente de uma floresta com árvores gigantescas que cobriam o céu com seus galhos e o chão com suas raízes. E bem ao fundo a silhueta inconfundível de um ser humano. Pela posição e contorno, parecia que estava de costas com a cabeça virada para trás e era bem pequeno pelas proporções, talvez uma criança.
− Louco. Velho louco. − o jovem diz, deixando o quadro para trás e se concentrando em escolher algo que pudesse ajudar em sua fuga. Termina escolhendo uma espada que estava presa junto com um machado e dá um grito de alegria ao ver que a lâmina estava afiada.
Checa rapidamente as janelas e as portas e quando confirma que elas estão todas trancadas e feitas com madeira grossa e placas de metal, quase entra em pânico novamente, mas a súbita visão do cadáver de sua amante o acalma. Tira sua camisa e o cobre da melhor maneira possível. Teria que...
A imagem do quadro havia mudado.
O menino (sim, agora ele podia ver claramente) estava de frente e mais perto.
“Não era possível”, ele pensa, e então esfrega seus olhos com as costas de sua mão.
O menino estava agora visível somente do peito para cima. Bem mais perto dele. E sorrindo.
Sabendo o que o gesto podia custar, mas precisando confirmar que não estava enlouquecendo, que já havia enlouquecido, ele se obriga a fechar e abrir os olhos novamente.
O rosto do menino, da coisa que se parecia um menino, estava agora cobrindo toda a extensão do quadro. Sua boca estava aberta num ângulo impossível (para um humano), mostrando uma fileira de dentes amarelos e afiados como navalhas.
O jovem desiste de tentar entender a situação e instintivamente corre para longe do quadro. Com sua espada começa a golpear a porta, arrancando pequenas e inúteis lascas. Um último golpe faz a espada escapar de suas mãos e voar para trás. Sem pensar, ele se vira e a acha.
Erguendo os olhos para o quadro.
A tela estava vazia. O menino e a floresta não estavam mais em lugar algum da pintura. Apenas o couro esticado do homem mau.
Ele senta no chão e começa a rir.
E então começa a gritar.
A porta do escritório se abre e o ajudante do velho entra cautelosamente. Ele olha primeiro para o cadáver ainda coberto pela camisa e depois quase tropeça no corpo do jovem deitado de bruços no chão.
− Cubra o quadro! − a voz do velho do lado de fora ordena. − Faça isso rápido e não olhe para ele.
O ajudante, usando a mesma cortina vermelha, que trouxe com ele, tomando cuidado para não olhar, cobre o quadro, sai e volta com o velho.
− Onde ele está?
− No chão senhor. Não entendo, ele est... − não termina a frase. Do seu peito surge a lâmina de uma espada e ele cai morto imediatamente.
O velhote desmaia ao ver essa cena e quando acorda dá um grito horrendo ao perceber o que está olhando. O quadro. Novamente com a floresta e a sinistra silhueta de costas olhando para trás. Ele instintivamente fecha seus olhos e começa a rezar.
− Deus, tenha piedade de mim. Deus, tenha...
A voz ao seu lado o faz calar. Ele reconhece a voz do seu ex-prisioneiro.
− É claro que a culpa foi minha. E vou pagar pro resto da minha vida. Mas o que é certo é certo, e algo precisa ser feito...
− Meu jovem, posso entender a sua raiva. − o velho, ainda com os olhos fechados tenta negociar, ao mesmo tempo que confirma que está imobilizado por cordas. − Mas agora pode fazer algo muito estúpido e criminoso ou poderá sair daqui um homem muito rico.
− Ninguém vai sair daqui. Descobri um modo de vencer o quadro, sabe? Um modo prático e doloroso. Mas não pretendo sair daqui. Apenas quero ficar com você, quando ele finalmente estiver livre. Deverá ser uma visão magnífica... Pena que só você poderá aproveitar.
O jovem ergue a espada que estava segurando, e a crava na coxa do velho que grita e abre os olhos, olhando diretamente para o quadro.
Ele sorri. Afinal sua mira foi excelente considerando que seus olhos foram recém arrancados por si próprio e de forma extremamente rudimentar. Não ia mesmo poder apreciar o espetáculo, mas iria se contentar com os gritos.
Foram essas as últimas palavras que ele havia escutado antes de ser abordado, espancado, seqüestrado e finalmente amarrado, pulsos e calcanhares, numa cadeira.
Mesmo com a capacidade de seus sentidos consideravelmente reduzida pela dor e confusão, concluiu que estava num quarto bem iluminado e que não estava sozinho. Poderia deduzir mais, mas decidiu que era melhor permanecer imóvel, fazer seus captores acharem que continuava desmaiado, ganhar tempo até pensar num modo de escapar.
Foi quando se lembrou que um pouco antes de apagar, escutou um grito.
O grito dela.
Precisou de todo seu auto-controle para permanecer quieto. Juntos haviam planejado sua “fuga”: as passagens já estavam em cima da televisão, as malas prontas. Deviam ter ido embora, mas ela quis escrever uma carta de despedida. Explicar para seu marido que não estavam levando um centavo dele e que não podia esperar um divórcio porque... bom, porque ela havia se casado com um maluco milionário que preferiria matar, a perdê-la.
− O recorde de ficar sem piscar os olhos é de quatro minutos e trinta e dois segundos. Essa informação poderia salvar a sua vida. Mas não vai.
A voz era fraca e o que ela havia dito era tão absurdo que por um momento ele acreditou que sua origem era de um programa de rádio. Mas vozes saídas de aparelhos não produziam mau hálito.
− O senhor é tão burro que está segurando a respiração desde que recobrou os sentidos. Acha que desmaiados não respiram? Desmaiados respiram. Mortos é que não. − a voz estava mais próxima, assim como o fedor de seu dono. − Posso dizer com exatidão o momento em que acordou. Fingir que continua desmaiado vai apenas adiar e não evitar os acontecimentos. Eu poderia... Ah, que se dane. Corte um dedo dele. O mindinho.
Ele abriu os olhos, e sem surpresa alguma, imediatamente se arrependeu. Estava mesmo num escritório, e sim, era bem iluminado. Amarrado não dava para saber o tamanho real do local, mas não parecia ser muito grande. Um típico escritório de um ricaço se já tinha visto algum em sua vida. E na sua frente, o próprio ricaço em pessoa. Sentado numa cadeira de rodas, cobertor de flanela vermelha nos joelhos e um sorriso cruel nos lábios secos.
Já tinha visto o velhote de relance umas duas vezes quando a porta da limusine abria o suficiente para buscar sua esposa. E atrás dele algo que poderia ser um armário em formato vagamente semelhante a um ser humano ou um ser humano com o tamanho e a aparência de um armário.
− É claro que a culpa foi minha. − o velho continuou seu pequeno monólogo. Aparentemente, havia esquecido a ameaça de amputação. − O que uma mulher jovem e linda como ela iria querer comigo? Mas o que é certo é certo, e algo precisa ser feito. Pode imaginar para um homem em minha posição o que... − nesse momento, um violento acesso de tosse quase o faz pular para fora de sua cadeira. − Desculpe. Disse... disse alguma coisa?
− Não a machuque. Por favor.
As palavras saíram com dificuldade. Em parte pelo medo, mas principalmente pelo estado físico em que ele se encontrava. Agora que não precisava mais ficar parado, podia sentir melhor os diversos tipos de dor que seu corpo sofria. Alguns dentes haviam desaparecido de sua boca. Costelas quebradas? Pode apostar. E o lado direito de seu rosto estava sem sensibilidade alguma. Provavelmente, isso era uma boa notícia. Talvez a única.
O velho pareceu ficar legitimamente admirado com o pedido. Fez sinal com seu indicador e o armário humano empurrou a cadeira para frente.
− Dou a minha palavra que ela está fora disso. O meu negócio agora é somente com o senhor e mais ninguém.
− Obrigado.
Mais um sinal e a cadeira voltou a posição inicial.
− Tive uma vida boa. Uma vida completa e boa. Mas não soube envelhecer. Não vi a graça de envelhecer e quis manter... coisas que não precisava e que não poderia mais aproveitar. − fez uma pausa e girou sozinho a cadeira, ficando quase totalmente de costas para sua platéia. − Olhe pra este lugar. Todos estes objetos... Olhe.
Armaduras, vasos grandes e feios, armas medievais e animais empalhados. Um pequeno museu que representava toda uma vida. Pela primeira vez, o jovem enxergava aquele velhote como um ser humano. Algo mais do que a caricatura de um homem rico casado com uma mulher ridiculamente mais jovem.
− Sabe o que são? Medalhas. Cada objeto tem uma história interessante por trás, mas o campeão... é este aqui. − nesse momento, ele apontou, esticando o braço, para uma grande cortina vermelha, obviamente num lugar de destaque. − É um quadro. Um quadro muito especial.
A reação dele e do seu guarda-costas era peculiar. Os dois estavam solenes, como se estivessem na presença de alguém, alguém importante, e não de um simples objeto. Quase como se estivessem com...
... medo?
− Trouxe comigo da África. Mais ou menos quando tinha a sua idade. Mas não estou sendo exato. Eu chamo de quadro, mas na verdade é um escudo. Um escudo feito com a pele de um homem muito, muito mau. − ele dá uma risadinha e tem um novo acesso de tosse. − Tão mau que seu espírito permaneceu preso nele.
− No quadro?
− Exatamente! Preso no quadro.
− Loucura.
Num movimento que surpreenderia qualquer um pela sua velocidade, o velho retira uma bengala com ponta de aço debaixo do seu cobertor e acerta na lateral da cabeça do seu prisioneiro, derrubando ele juntamente com a cadeira.
− Olhe o nível. Não estrague tudo agora sendo rude. É uma situação desagradável o suficiente. − olha para seu empregado. − Estou cansado. Mostre para ele, mostre agora.
O armário humano vai em direção ao jovem que se encolhe instintivamente. Como se ele e a cadeira não fossem mais pesados do que um lápis, são colocados em pé. E então, com mais facilidade ainda, o jovem é virado para trás, para o lado do escritório que ainda não conhecia.
E chora.
Na sua frente, amarrada numa cadeira idêntica a sua, está ela. Flashes de imagens dela sorrindo em diversos momentos do último e maravilhoso ano intercalados com aquela imagem grotesca. Seus olhos e sua boca abertos, na mais perfeita expressão de terror. E em seu tórax... um buraco. Grande o suficiente para poder ser transplantado nele uma televisão. Misericordiosamente nem uma única gota do sangue que da cintura para baixo estava cobrindo virtualmente cada centímetro de sua pele e suas roupas, não haviam maculado seu rosto. Mas havia algo de errado com seus cabelos. E então ele percebeu: não tinham mais aquele adorável tom dourado. Cada fio, o cabelo todo dela estava branco.
− Agora, preciso que preste atenção. É simples: o maldito quadro está vivo. Assim que olhar para ele, ele vai olhar de volta para você. E quando isso acontecer, será seu fim. Porque... está prestando atenção? − se vira e pergunta para seu ajudante. − Ele está prestando atenção?
O sujeito ergue novamente a cadeira, novamente voltando o jovem para seu captor e para a cortina vermelha.
− Compreendeu sua situação? Olhe para o quadro e ele o matará! Escutou bem? Não? Ah, outro inútil. São todos inúteis. Vamos embora. Isso é nojento.
O jovem continua chorando e mal percebe quando os dois se retiram deixando ele sozinho. Muito menos o momento quando o velho agarra o cordão amarelo preso na cortina e sai arrastando o pedaço de pano para fora do escritório, deixando agora o quadro totalmente exposto.
Mal a porta se fecha, o jovem pára de chorar e sua expressão se transforma.
Matar aquele miserável ou morrer tentando.
Esse era o único pensamento, o único objetivo e haveria apenas uma única oportunidade. Repassou o plano em sua mente buscando falhas, se havia era tarde demais, porque nesse momento ele se joga no chão e começa a golpear com todas as partes ainda móveis de seu corpo. As cordas não iriam ceder, eram grossas demais. Mas a cadeira era outra história: havia escutado como ela rangeu antes, quando foi lançada ao chão junto com ele da primeira vez.
Seus movimentos eram fortes, mas também eram desordenados e poucos estavam gerando qualquer efeito. Sem se importar com as conseqüências, urra audivelmente, torcendo os pulsos e os calcanhares. Quando as cordas começam a cortar sua carne, ele apenas ri.
Continua assim até que suas forças acabam e então percebe... seu sangue havia umidificado as cordas e elas estavam finalmente cedendo um pouco. Podia ser ilusão ou um objetivo impossível, mas seus movimentos finais iriam fazer aquelas malditas cordas cederem ou ele estava preparado a cerrar seus pulsos até os ossos aparecerem.
Não precisou tanto e mal pode acreditar quando finalmente soltou uma de suas mãos. Logo estava totalmente livre da cadeira e pronto para escapar dali.
Foi quando percebeu que o quadro estava olhando para ele.
O quadro, o escudo, devia ter quase dois metros de comprimento. Se era ou não feito de pele humana, a textura definitivamente tentava passar essa impressão. A moldura era uma bagunça de grandes penas negras amarradas com cipó. A pintura em si era escura. Basicamente usava apenas duas cores: verde escuro e preto. A imagem era definitivamente de uma floresta com árvores gigantescas que cobriam o céu com seus galhos e o chão com suas raízes. E bem ao fundo a silhueta inconfundível de um ser humano. Pela posição e contorno, parecia que estava de costas com a cabeça virada para trás e era bem pequeno pelas proporções, talvez uma criança.
− Louco. Velho louco. − o jovem diz, deixando o quadro para trás e se concentrando em escolher algo que pudesse ajudar em sua fuga. Termina escolhendo uma espada que estava presa junto com um machado e dá um grito de alegria ao ver que a lâmina estava afiada.
Checa rapidamente as janelas e as portas e quando confirma que elas estão todas trancadas e feitas com madeira grossa e placas de metal, quase entra em pânico novamente, mas a súbita visão do cadáver de sua amante o acalma. Tira sua camisa e o cobre da melhor maneira possível. Teria que...
A imagem do quadro havia mudado.
O menino (sim, agora ele podia ver claramente) estava de frente e mais perto.
“Não era possível”, ele pensa, e então esfrega seus olhos com as costas de sua mão.
O menino estava agora visível somente do peito para cima. Bem mais perto dele. E sorrindo.
Sabendo o que o gesto podia custar, mas precisando confirmar que não estava enlouquecendo, que já havia enlouquecido, ele se obriga a fechar e abrir os olhos novamente.
O rosto do menino, da coisa que se parecia um menino, estava agora cobrindo toda a extensão do quadro. Sua boca estava aberta num ângulo impossível (para um humano), mostrando uma fileira de dentes amarelos e afiados como navalhas.
O jovem desiste de tentar entender a situação e instintivamente corre para longe do quadro. Com sua espada começa a golpear a porta, arrancando pequenas e inúteis lascas. Um último golpe faz a espada escapar de suas mãos e voar para trás. Sem pensar, ele se vira e a acha.
Erguendo os olhos para o quadro.
A tela estava vazia. O menino e a floresta não estavam mais em lugar algum da pintura. Apenas o couro esticado do homem mau.
Ele senta no chão e começa a rir.
E então começa a gritar.
A porta do escritório se abre e o ajudante do velho entra cautelosamente. Ele olha primeiro para o cadáver ainda coberto pela camisa e depois quase tropeça no corpo do jovem deitado de bruços no chão.
− Cubra o quadro! − a voz do velho do lado de fora ordena. − Faça isso rápido e não olhe para ele.
O ajudante, usando a mesma cortina vermelha, que trouxe com ele, tomando cuidado para não olhar, cobre o quadro, sai e volta com o velho.
− Onde ele está?
− No chão senhor. Não entendo, ele est... − não termina a frase. Do seu peito surge a lâmina de uma espada e ele cai morto imediatamente.
O velhote desmaia ao ver essa cena e quando acorda dá um grito horrendo ao perceber o que está olhando. O quadro. Novamente com a floresta e a sinistra silhueta de costas olhando para trás. Ele instintivamente fecha seus olhos e começa a rezar.
− Deus, tenha piedade de mim. Deus, tenha...
A voz ao seu lado o faz calar. Ele reconhece a voz do seu ex-prisioneiro.
− É claro que a culpa foi minha. E vou pagar pro resto da minha vida. Mas o que é certo é certo, e algo precisa ser feito...
− Meu jovem, posso entender a sua raiva. − o velho, ainda com os olhos fechados tenta negociar, ao mesmo tempo que confirma que está imobilizado por cordas. − Mas agora pode fazer algo muito estúpido e criminoso ou poderá sair daqui um homem muito rico.
− Ninguém vai sair daqui. Descobri um modo de vencer o quadro, sabe? Um modo prático e doloroso. Mas não pretendo sair daqui. Apenas quero ficar com você, quando ele finalmente estiver livre. Deverá ser uma visão magnífica... Pena que só você poderá aproveitar.
O jovem ergue a espada que estava segurando, e a crava na coxa do velho que grita e abre os olhos, olhando diretamente para o quadro.
Ele sorri. Afinal sua mira foi excelente considerando que seus olhos foram recém arrancados por si próprio e de forma extremamente rudimentar. Não ia mesmo poder apreciar o espetáculo, mas iria se contentar com os gritos.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Convite (RJ) - Dez Contos de Terror

Trailer do meu conto "O Quadro"
"O recorde de ficar sem piscar os olhos é de quatro minutos e trinta e dois segundos. Essa informação poderia salvar a sua vida. Mas não vai."
" Eu chamo de quadro, mas na verdade é um escudo. Um escudo feito com a pele de um homem muito, muito mau. − ele dá uma risadinha e tem um novo acesso de tosse. − Tão mau que seu espírito permaneceu preso nele."
"Agora, preciso que preste atenção. É simples: o maldito quadro está vivo. Assim que olhar para ele, ele vai olhar de volta para você. E quando isso acontecer, será seu fim."
domingo, 28 de junho de 2009
"O homem no espelho"
H: Por que ficou tão abalado com a morte do Michael Jackson, cara?
R: Ele era mais velho do que eu, Herbert. Mas foi a primeira pessoa que acompanhei todas as fases da vida. Não na ordem cronológica certa, afinal quando vi ele no Jackson's Five cantando "Ben" foi depois, como imagem de arquivo, quando ele começou sua carreira solo e tal. Mas eu VI ele ainda criança, entende? E depois acompanhei cada fase dele, "Billie Jean" todo malucão andando e fazendo as calçadas brilharem com suas pegadas.
MLK: Sabia que "Billie Jean" era sobre paternidade ilícita?
R/H: ...
MLK: She's just a girl who claims that I am the one, but the kid is not my son.
R: E depois "Thriller". Caramba, não tinha internet na época e era uma correria toda vez que a TV passava o clipe. Eu queria ver de novo e de novo.
H: Meu favorito foi o "Smooth Criminal". Sabe aquele troço maluco que ele faz quando o Michael e os dançarinos se inclinam com os corpos retões para frente? Tipo, ângulo de 45 graus? Tentei imitar. Obviamente tombei feito uma árvore e quebrei o nariz.
R: E quando começaram as acusações e ele só aparecia nos jornais para ser ridicularizado... tudo aquilo, só serviu para humanizar ele ainda mais. O que é ser visto por todos como um monstro ou motivo de risos? Como deve ser terrivelmente solitário viver assim.
MLK: A morte deu paz para ele.
R: Não podia ter sido isso em vida? Sei que tem muita gente por aí que vive em paz e não merece.
MLK: Ainda acha que merecimento tem qualquer coisa haver com isso?
R: Não tem, não é?
H: Nos anos 80 o mundo parecia um lugar mais simples e menos... cinza. Tudo que existe hoje existia também naquela época mas, não sei explicar.
R: É como se tudo fosse mais sério agora. Nos anos 80 o mundo era uma criança e agora o mundo é um senhor de idade que precisa se preocupar com coisas reais.
MLK: Ainda estamos falando do Michael?
R: ...
http://www.youtube.com/watch?v=oLXYiF_BdAs
R: Ele era mais velho do que eu, Herbert. Mas foi a primeira pessoa que acompanhei todas as fases da vida. Não na ordem cronológica certa, afinal quando vi ele no Jackson's Five cantando "Ben" foi depois, como imagem de arquivo, quando ele começou sua carreira solo e tal. Mas eu VI ele ainda criança, entende? E depois acompanhei cada fase dele, "Billie Jean" todo malucão andando e fazendo as calçadas brilharem com suas pegadas.
MLK: Sabia que "Billie Jean" era sobre paternidade ilícita?
R/H: ...
MLK: She's just a girl who claims that I am the one, but the kid is not my son.
R: E depois "Thriller". Caramba, não tinha internet na época e era uma correria toda vez que a TV passava o clipe. Eu queria ver de novo e de novo.
H: Meu favorito foi o "Smooth Criminal". Sabe aquele troço maluco que ele faz quando o Michael e os dançarinos se inclinam com os corpos retões para frente? Tipo, ângulo de 45 graus? Tentei imitar. Obviamente tombei feito uma árvore e quebrei o nariz.
R: E quando começaram as acusações e ele só aparecia nos jornais para ser ridicularizado... tudo aquilo, só serviu para humanizar ele ainda mais. O que é ser visto por todos como um monstro ou motivo de risos? Como deve ser terrivelmente solitário viver assim.
MLK: A morte deu paz para ele.
R: Não podia ter sido isso em vida? Sei que tem muita gente por aí que vive em paz e não merece.
MLK: Ainda acha que merecimento tem qualquer coisa haver com isso?
R: Não tem, não é?
H: Nos anos 80 o mundo parecia um lugar mais simples e menos... cinza. Tudo que existe hoje existia também naquela época mas, não sei explicar.
R: É como se tudo fosse mais sério agora. Nos anos 80 o mundo era uma criança e agora o mundo é um senhor de idade que precisa se preocupar com coisas reais.
MLK: Ainda estamos falando do Michael?
R: ...
http://www.youtube.com/watch?v=oLXYiF_BdAs
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Vermelho ou Azul
CENA 1.
INT. APARTAMENTO – DIA.
UMA ELEGANTE SALA DE ESTAR. UMA MULHER, 30 E POUCOS ANOS, ESTÁ SENTADA NUMA CADEIRA SEGURANDO UM TELEFONE. ELA ESTÁ TENSA, MAL PARECE RESPIRAR. UM HOMEM, UM POLICIAL DO ESQUADRÃO DE BOMBAS, DEVIDAMENTE PARAMENTADO COM COLETE E CAPACETE, ESTÁ DEITADO DE COSTAS NO CHÃO VERIFICANDO A PARTE DE BAIXO DA CADEIRA.
HOMEM: Alguém realmente te odeia, querida. Mais do que eu. (T) Quando a central informou sobre a ameaça de bomba e me deram seu nome, sabe o que eu disse? (ELE SAI DE BAIXO DA CADEIRA, SE LEVANTA E TIRA O CAPACETE) “Pra quem devo agradecer?”
MULHER: Haha. (T) Então, é mesmo uma bomba?
MARIDO: Alguém retirou parte do estofado, colocou carga suficiente pra destruir este apartamento inteiro e grande parte do seu vizinho de baixo. Não vi nenhum mecanismo de pressão, mas como a carga está acionada... é, é uma bomba sim.
MULHER: E o que vamos fazer?
MARIDO: Você vai ficar sentada quietinha aqui. E eu vou sair e esperar com o pessoal lá fora. O esquadrão de desarmamento deve chegar daqui a pouco.
MULHER: Vai me deixar sozinha aqui?
MARIDO: Meu trabalho está feito. O seu admirador secreto queria que eu viesse e verificasse se é uma bomba. É uma bomba. É isso que eu faço. Agora somente peritos podem...
A MULHER COMEÇA A CHORAR.
MARIDO: Tá tá, eu fico e espero eles chegarem. Mas... apenas não se mexa, certo?
MULHER: Obrigada.
MARIDO: Como foi exatamente que aconteceu isso? Não me deram os detalhes.
CENA 2.
INT. APARTAMENTO – DIA – ALGUMAS HORAS ANTES:
A EXPLICAÇÃO DA MULHER É MOSTRADA EM CENAS PRETO E BRANCO COM NARRAÇÃO DELA MESMA EM OFF.
MULHER (OFF): Cheguei no hotel às dezesseis horas. O telefone tocou, atendi e uma voz que não reconheci disse que sabia do meu segredo e que era pra eu ouvir com atenção. A voz insistia que para me contar o que sabia, eu devia estar sentada.
HOMEM (OFF): Como assim sentada? Tipo “é melhor você se sentar para escutar o que eu tenho pra dizer”?
MULHER (OFF): Isso. Acho que foram exatamente essas as palavras. Então eu me sentei e a voz disse...
VOZ: Se você se levantar a bomba que está na cadeira será acionada e o hotel perderá alguns andares e o mundo perderá uma...
CENA 3.
INT. APARTAMENTO – DIA – CONT.
HOMEM: Perderá uma?
MULHER: Um palavrão qualquer.
HOMEM: Vadia?
MULHER: Isso não é importante! (T) Você está sorrindo? Acha isso engraçado?
HOMEM: Que a mulher que me traiu durante os últimos dois anos está sentada em cima de uma bomba? Estou achando hilário! Que eu esteja perto dela nesse momento? Nem tanto. (T) E essa voz, ele pediu que eu, especificamente eu, viesse cuidar disso?
MULHER: Não há tantos especialistas anti-bomba na cidade.
HOMEM: Mesmo assim. Não gosto disso. (T) Então, qual era o segredo? (A MULHER NÃO ENTENDE A PERGUNTA) Você se sentou, soube da bomba e aí? Ele não te disse qual era o tal segredo que sabia de você?
MULHER: Não, ele desligou. Não há nenhum segredo.
HOMEM: Por que veio para esse quarto? (ELA NÃO RESPONDE) Escuta, não é seu ex-marido falando agora. Isso pode ser importante. Por que veio para esse quarto? A essa hora? (ELA O ENCARA, A RESPOSTA É ÓBVIA O SUFICIENTE) Ah, mas que droga! E cadê ele? Já imaginou que pode muito bem ser o seu encontro secreto que colocou essa bomba?
MULHER: Não é secreto e por que ele faria isso?
HOMEM: Sei lá, quem está sentada em cima de uma bomba e tem encontros com amantes no meio da manhã é você! Se eu... (ELE REPARA EM ALGUMA COISA E SE AGACHA NOVAMENTE, EM SEGUIDA SE DEITA PARA VER MELHOR) Diabo!
MULHER: O que foi?
HOMEM: Um contador. Havia uma tela escura sem nada, mas agora estou vendo um contador. Ligou sozinho.
MULHER: E o que ele está “contando”?
HOMEM: Três minutos.
NA TELA SURGEM OS DÍGITOS “00:03:00” E A CONTAGEM REGRESSIVA COMEÇA “OO:02:59”, “00:02:58” E ASSIM POR DIANTE.
MULHER: Ah, meu Deus, faz alguma coisa!
O HOMEM SE LEVANTA E OLHA PRA PORTA. POR UM MOMENTO, COGITANDO SERIAMENTE SAIR DALI. MAS POR FIM, DECIDE FICAR.
HOMEM: Não vai dar tempo de chamar o pessoal. Vou tentar desarmar isso. A decisão é sua.
MULHER: Qual decisão? Entre explodir ou você tentar desarmar a bomba? Claro que quero que tente! Desarme essa bomba!
HOMEM (SUSPIRA): Tá. (ELE ABRE UM ESTOJO COM ALGUMAS FERRAMENTAS, SE DEITA NOVAMENTE E COMEÇA A NARRAR OS PROCEDIMENTOS) Estou abrindo o painel com a tela. Certo, o painel está ligado, mas a tela continua acesa. (ELE COMEÇA A RIR).
MULHER: O que foi?
HOMEM: Quem armou essa bomba tem senso de humor pelo menos. Estou vendo os clássicos fios vermelho e azul, ligados aos detonadores e a carga. Dá pra acreditar? (T) Eu disse: dá pra acreditar?
MULHER: Sim dá. A voz me disse que haveria esses fios.
HOMEM (AINDA DEITADO, TIRA A CABEÇA DEBAIXO DA CADEIRA PRA ENCARAR SUA EX-ESPOSA): O que?
CENA 4.
INT. APARTAMENTO – DIA – ALGUMAS HORAS ANTES:
NOVAMENTE FLASHBACK EM PRETO E BRANCO. A MULHER SEGURANDO O TELEFONE.
VOZ: Dois fios. Um azul e outro vermelho. Corte a cor favorita do seu marido e a bomba não explode.
CENA 5.
INT. APARTAMENTO – DIA – CONT.
MARIDO: E por que não me disse isso antes?
MULHER: Desculpa, eu estou nervosa! Achei que não fosse importante.
MARIDO: Depois vamos discutir sobre seus critérios do que é e do que não é importante. Muito bem.
A MULHER ESPERA, MAS O MARIDO DELA ESTÁ QUIETO. ELA ESPERA MAIS UM MOMENTO. NADA.
MULHER: E então?
HOMEM: E então você. Qual a minha cor favorita?
MULHER: O que? Você sabe! É a sua cor favorita.
HOMEM: Eu sei qual é, mas a bomba é sua. A pergunta foi para você. Diga, qual é a cor favorita do seu marido? Qual a cor favorita do homem que viveu com você mais de 15 anos?
MULHER: Não faça isso!
HOMEM: Diga!
MULHER: Eu não posso. Eu não sei!
HOMEM: O tempo está acabando! Diga qual é a minha maldita cor favorita ou vamos morrer.
MULHER: Azul! É a cor dos meus olhos. Por isso é a sua cor favorita. Azul, corte o azul!
O HOMEM CORTA O FIO, FECHA OS OLHOS E SUSPIRA ALIVIADO. NA TELA OS DÍGITOS “00:00:01”. ELE SE LEVANTA E OLHA PARA SUA EX-ESPOSA QUE ESTÁ CHORANDO.
HOMEM: Pode se levantar agora.
ELA SE LEVANTA E O ABRAÇA. ELE DEMORA UM INSTANTE, MAS ACABA ABRAÇANDO DE VOLTA.
MULHER: Fui uma idiota.
HOMEM: De sentar em cima de uma bomba? Não, qualquer um poderia cair nessa.
MULHER: Não, estou falando de nós. Eu nunca deveria ter te abandonado.
HOMEM: O que está dizendo?
MULHER: Acho que deveríamos tentar de novo. As crianças sentem sua falta e... eu também.
ELES SE BEIJAM. AINDA ABRAÇADOS VÃO EM DIREÇÃO À PORTA.
HOMEM: Vamos sair daqui. Desarmada ou não, isso ainda é perigoso.
MULHER: Quem será que mandou?
HOMEM: Talvez nunca vamos saber.
CENA 6.
EXT. QUARTO NÃO IDENTIFICADO – DIA – ALGUMAS HORAS ANTES:
NOVAMENTE FLASHBACK EM PRETO E BRANCO. UM HOMEM DE COSTAS SEGURANDO UM TELEFONE.
VOZ: Dois fios. Um azul e outro vermelho. Corte a cor favorita do seu marido e a bomba não explode.
A CAMÊRA VIRA DE FRENTE E VEMOS O MARIDO SEGURANDO O TELEFONE. ELE TIRA UM PEDAÇO DE PANO DO BOCAL (ESTAVA USANDO PARA DISFARÇAR SUA VOZ) E DESLIGA O APARELHO.
CENA 7.
INT. APARTAMENTO – DIA – CONT.
ENQUANTO ELES SAEM, A CÂMERA ABAIXA E MOSTRA A PARTE INFERIOR DA CADEIRA, ONDE PODEMOS VER CLARAMENTE A BOMBA. E O FIO CORTADO. O FIO VERMELHO CORTADO.
INT. APARTAMENTO – DIA.
UMA ELEGANTE SALA DE ESTAR. UMA MULHER, 30 E POUCOS ANOS, ESTÁ SENTADA NUMA CADEIRA SEGURANDO UM TELEFONE. ELA ESTÁ TENSA, MAL PARECE RESPIRAR. UM HOMEM, UM POLICIAL DO ESQUADRÃO DE BOMBAS, DEVIDAMENTE PARAMENTADO COM COLETE E CAPACETE, ESTÁ DEITADO DE COSTAS NO CHÃO VERIFICANDO A PARTE DE BAIXO DA CADEIRA.
HOMEM: Alguém realmente te odeia, querida. Mais do que eu. (T) Quando a central informou sobre a ameaça de bomba e me deram seu nome, sabe o que eu disse? (ELE SAI DE BAIXO DA CADEIRA, SE LEVANTA E TIRA O CAPACETE) “Pra quem devo agradecer?”
MULHER: Haha. (T) Então, é mesmo uma bomba?
MARIDO: Alguém retirou parte do estofado, colocou carga suficiente pra destruir este apartamento inteiro e grande parte do seu vizinho de baixo. Não vi nenhum mecanismo de pressão, mas como a carga está acionada... é, é uma bomba sim.
MULHER: E o que vamos fazer?
MARIDO: Você vai ficar sentada quietinha aqui. E eu vou sair e esperar com o pessoal lá fora. O esquadrão de desarmamento deve chegar daqui a pouco.
MULHER: Vai me deixar sozinha aqui?
MARIDO: Meu trabalho está feito. O seu admirador secreto queria que eu viesse e verificasse se é uma bomba. É uma bomba. É isso que eu faço. Agora somente peritos podem...
A MULHER COMEÇA A CHORAR.
MARIDO: Tá tá, eu fico e espero eles chegarem. Mas... apenas não se mexa, certo?
MULHER: Obrigada.
MARIDO: Como foi exatamente que aconteceu isso? Não me deram os detalhes.
CENA 2.
INT. APARTAMENTO – DIA – ALGUMAS HORAS ANTES:
A EXPLICAÇÃO DA MULHER É MOSTRADA EM CENAS PRETO E BRANCO COM NARRAÇÃO DELA MESMA EM OFF.
MULHER (OFF): Cheguei no hotel às dezesseis horas. O telefone tocou, atendi e uma voz que não reconheci disse que sabia do meu segredo e que era pra eu ouvir com atenção. A voz insistia que para me contar o que sabia, eu devia estar sentada.
HOMEM (OFF): Como assim sentada? Tipo “é melhor você se sentar para escutar o que eu tenho pra dizer”?
MULHER (OFF): Isso. Acho que foram exatamente essas as palavras. Então eu me sentei e a voz disse...
VOZ: Se você se levantar a bomba que está na cadeira será acionada e o hotel perderá alguns andares e o mundo perderá uma...
CENA 3.
INT. APARTAMENTO – DIA – CONT.
HOMEM: Perderá uma?
MULHER: Um palavrão qualquer.
HOMEM: Vadia?
MULHER: Isso não é importante! (T) Você está sorrindo? Acha isso engraçado?
HOMEM: Que a mulher que me traiu durante os últimos dois anos está sentada em cima de uma bomba? Estou achando hilário! Que eu esteja perto dela nesse momento? Nem tanto. (T) E essa voz, ele pediu que eu, especificamente eu, viesse cuidar disso?
MULHER: Não há tantos especialistas anti-bomba na cidade.
HOMEM: Mesmo assim. Não gosto disso. (T) Então, qual era o segredo? (A MULHER NÃO ENTENDE A PERGUNTA) Você se sentou, soube da bomba e aí? Ele não te disse qual era o tal segredo que sabia de você?
MULHER: Não, ele desligou. Não há nenhum segredo.
HOMEM: Por que veio para esse quarto? (ELA NÃO RESPONDE) Escuta, não é seu ex-marido falando agora. Isso pode ser importante. Por que veio para esse quarto? A essa hora? (ELA O ENCARA, A RESPOSTA É ÓBVIA O SUFICIENTE) Ah, mas que droga! E cadê ele? Já imaginou que pode muito bem ser o seu encontro secreto que colocou essa bomba?
MULHER: Não é secreto e por que ele faria isso?
HOMEM: Sei lá, quem está sentada em cima de uma bomba e tem encontros com amantes no meio da manhã é você! Se eu... (ELE REPARA EM ALGUMA COISA E SE AGACHA NOVAMENTE, EM SEGUIDA SE DEITA PARA VER MELHOR) Diabo!
MULHER: O que foi?
HOMEM: Um contador. Havia uma tela escura sem nada, mas agora estou vendo um contador. Ligou sozinho.
MULHER: E o que ele está “contando”?
HOMEM: Três minutos.
NA TELA SURGEM OS DÍGITOS “00:03:00” E A CONTAGEM REGRESSIVA COMEÇA “OO:02:59”, “00:02:58” E ASSIM POR DIANTE.
MULHER: Ah, meu Deus, faz alguma coisa!
O HOMEM SE LEVANTA E OLHA PRA PORTA. POR UM MOMENTO, COGITANDO SERIAMENTE SAIR DALI. MAS POR FIM, DECIDE FICAR.
HOMEM: Não vai dar tempo de chamar o pessoal. Vou tentar desarmar isso. A decisão é sua.
MULHER: Qual decisão? Entre explodir ou você tentar desarmar a bomba? Claro que quero que tente! Desarme essa bomba!
HOMEM (SUSPIRA): Tá. (ELE ABRE UM ESTOJO COM ALGUMAS FERRAMENTAS, SE DEITA NOVAMENTE E COMEÇA A NARRAR OS PROCEDIMENTOS) Estou abrindo o painel com a tela. Certo, o painel está ligado, mas a tela continua acesa. (ELE COMEÇA A RIR).
MULHER: O que foi?
HOMEM: Quem armou essa bomba tem senso de humor pelo menos. Estou vendo os clássicos fios vermelho e azul, ligados aos detonadores e a carga. Dá pra acreditar? (T) Eu disse: dá pra acreditar?
MULHER: Sim dá. A voz me disse que haveria esses fios.
HOMEM (AINDA DEITADO, TIRA A CABEÇA DEBAIXO DA CADEIRA PRA ENCARAR SUA EX-ESPOSA): O que?
CENA 4.
INT. APARTAMENTO – DIA – ALGUMAS HORAS ANTES:
NOVAMENTE FLASHBACK EM PRETO E BRANCO. A MULHER SEGURANDO O TELEFONE.
VOZ: Dois fios. Um azul e outro vermelho. Corte a cor favorita do seu marido e a bomba não explode.
CENA 5.
INT. APARTAMENTO – DIA – CONT.
MARIDO: E por que não me disse isso antes?
MULHER: Desculpa, eu estou nervosa! Achei que não fosse importante.
MARIDO: Depois vamos discutir sobre seus critérios do que é e do que não é importante. Muito bem.
A MULHER ESPERA, MAS O MARIDO DELA ESTÁ QUIETO. ELA ESPERA MAIS UM MOMENTO. NADA.
MULHER: E então?
HOMEM: E então você. Qual a minha cor favorita?
MULHER: O que? Você sabe! É a sua cor favorita.
HOMEM: Eu sei qual é, mas a bomba é sua. A pergunta foi para você. Diga, qual é a cor favorita do seu marido? Qual a cor favorita do homem que viveu com você mais de 15 anos?
MULHER: Não faça isso!
HOMEM: Diga!
MULHER: Eu não posso. Eu não sei!
HOMEM: O tempo está acabando! Diga qual é a minha maldita cor favorita ou vamos morrer.
MULHER: Azul! É a cor dos meus olhos. Por isso é a sua cor favorita. Azul, corte o azul!
O HOMEM CORTA O FIO, FECHA OS OLHOS E SUSPIRA ALIVIADO. NA TELA OS DÍGITOS “00:00:01”. ELE SE LEVANTA E OLHA PARA SUA EX-ESPOSA QUE ESTÁ CHORANDO.
HOMEM: Pode se levantar agora.
ELA SE LEVANTA E O ABRAÇA. ELE DEMORA UM INSTANTE, MAS ACABA ABRAÇANDO DE VOLTA.
MULHER: Fui uma idiota.
HOMEM: De sentar em cima de uma bomba? Não, qualquer um poderia cair nessa.
MULHER: Não, estou falando de nós. Eu nunca deveria ter te abandonado.
HOMEM: O que está dizendo?
MULHER: Acho que deveríamos tentar de novo. As crianças sentem sua falta e... eu também.
ELES SE BEIJAM. AINDA ABRAÇADOS VÃO EM DIREÇÃO À PORTA.
HOMEM: Vamos sair daqui. Desarmada ou não, isso ainda é perigoso.
MULHER: Quem será que mandou?
HOMEM: Talvez nunca vamos saber.
CENA 6.
EXT. QUARTO NÃO IDENTIFICADO – DIA – ALGUMAS HORAS ANTES:
NOVAMENTE FLASHBACK EM PRETO E BRANCO. UM HOMEM DE COSTAS SEGURANDO UM TELEFONE.
VOZ: Dois fios. Um azul e outro vermelho. Corte a cor favorita do seu marido e a bomba não explode.
A CAMÊRA VIRA DE FRENTE E VEMOS O MARIDO SEGURANDO O TELEFONE. ELE TIRA UM PEDAÇO DE PANO DO BOCAL (ESTAVA USANDO PARA DISFARÇAR SUA VOZ) E DESLIGA O APARELHO.
CENA 7.
INT. APARTAMENTO – DIA – CONT.
ENQUANTO ELES SAEM, A CÂMERA ABAIXA E MOSTRA A PARTE INFERIOR DA CADEIRA, ONDE PODEMOS VER CLARAMENTE A BOMBA. E O FIO CORTADO. O FIO VERMELHO CORTADO.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Não é sobre a Páscoa
R: Quantas vezes por ano acontece a Páscoa?
MLK: ...
R: ...
MLK: Que?
R: Quantas vezes p...
MLK: Eu escutei. Não foi um "Que?" não escutei, foi um "Que" que diabos quer dizer com isso.
R: Então quantas?
MLK: Uma! Uma vez só. A Páscoa sempre foi e sempre será um vez por ano, seu *****. Por que acha que não é assim?
R: Quando menos espero entro no supermercado e dou de cara com aquele bando de ovos de chocolate pendurados no teto. Meio sinistro. Todos eles numerados e presos por ganchinhos de plástico e tal. Tipo vítimas do Predador.
H: Pensando bem, parece mesmo que eles estão lá mais de uma vez por ano. Estranho.
R: Exato! O Natal é uma vez por ano, o carnaval também, finados, etc. Mas a Páscoa... passa definitivamente a impressão de que acontece mais de uma vez. É como o...
MLK: Como o...
R: Como o "Aquele Dia que Não Deve Ser Mencionado".
H: Voldemort's Day?
R: Mais ou menos isso. E ******! Falta menos de um mês.
MLK: Ainda dá tempo.
R: De que? De criar uma situação artificial e escolher um "ovo qualquer" só pra passar o "Aquele Dia que Não Deve Ser Mencionado" acompanhado? Não estou tão desesperado.
H: Sim, está.
R: Sim, estou. Mas não é esse o ponto.
MLK: Sim, é.
R: Sim é. Mas mesmo assim não vou fazer isso.
MLK: Por que?
R: Herbert, aperte o "play".
H: Pra já!
http://www.youtube.com/watch?v=CMUkfY0W82U
R: I believe the children are our are future, teach them well and let them lead the way. Show them all the beauty they possess inside...
MLK: Give them a sense of pride to make it easier.
H: Let the children's laughter remind us how we used to be...
R: Everybody searching for a hero , people need someone to look up to. I never found anyone to fulfill my needs...
H: A lonely place to be and so I learned to depend on me.
MLK/H: I decided long ago, never to walk in anyone's shadows.If I fail, if I succeed
At least I live as I believe. No matter what they take from me
They can't take away my dignity...
R: Because the greatest love of all is happening to me. I found the greatest love of all inside of me.
MLK: The greatest love of all is easy to achieve...
H: Learning to love yourself, it is the greatest love of all.
R: I believe the children are our future, teach them well and let them lead the way. Show them all the beauty they possess inside. Give them a sense of pride to make it easier, let the children's laughter remind us how we used to be...
MLK: Wow, wow, wow! Tempo! Mas que ****** é essa?
H: Whitney Houston?
MLK: Eu sei que é a ****** da Whitney, seu jegue. O que eu quero dizer é: o que essa música tem haver com nossa conversa? Nada!
R: Bom, acho que é exatamente isso.
MLK: Exatamente o que?
R: As pessoas acham que precisam fazer sentido o tempo todo. É como o "Aquele Dia que Não Deve Ser Mencionado". Se vc passa ele sozinho, mesmo que por livre escolha, se sente mal. Mas não deveria ser assim.
H: Não deveria?
R: Claro que não. Quando vc deixa alguém entrar em sua vida e entra na vida de alguém, é uma grande responsabilidade. Vc pode machucar e se machucar muito. É uma tremenda responsabilidade.
MLK: Então... mas e se nunca acontecer de novo? Não é melhor do que ficar sozinho?
R: Já amou, Sr.King?
MLK: Oh, yeah.
R: Tô falando sério.
MLK: Sim. Já. Já amei.
R: Então, sabe que não existem substitutos. E sabendo disso precisa se manter fiel ao próprio amor.
H: ...
R: Vc entende agora?
MLK: Herbert.
H: Play?
MLK: Play.
http://www.youtube.com/watch?v=iWO0oNgwXfE
ps.
CG: Olá, meu nome é Crispin Glover. Ahn, o (NOME CENSURADO) pediu pra eu fazer esse "ps". O diálogo acima foi fruto de uma conversa altamente filosófica entre (NOME CENSURADO) e sua amiga Ana Lucia.
H: Adorei ela em LOST.
CG: Outra Ana Lucia.
H: *******.
MLK: ...
R: ...
MLK: Que?
R: Quantas vezes p...
MLK: Eu escutei. Não foi um "Que?" não escutei, foi um "Que" que diabos quer dizer com isso.
R: Então quantas?
MLK: Uma! Uma vez só. A Páscoa sempre foi e sempre será um vez por ano, seu *****. Por que acha que não é assim?
R: Quando menos espero entro no supermercado e dou de cara com aquele bando de ovos de chocolate pendurados no teto. Meio sinistro. Todos eles numerados e presos por ganchinhos de plástico e tal. Tipo vítimas do Predador.
H: Pensando bem, parece mesmo que eles estão lá mais de uma vez por ano. Estranho.
R: Exato! O Natal é uma vez por ano, o carnaval também, finados, etc. Mas a Páscoa... passa definitivamente a impressão de que acontece mais de uma vez. É como o...
MLK: Como o...
R: Como o "Aquele Dia que Não Deve Ser Mencionado".
H: Voldemort's Day?
R: Mais ou menos isso. E ******! Falta menos de um mês.
MLK: Ainda dá tempo.
R: De que? De criar uma situação artificial e escolher um "ovo qualquer" só pra passar o "Aquele Dia que Não Deve Ser Mencionado" acompanhado? Não estou tão desesperado.
H: Sim, está.
R: Sim, estou. Mas não é esse o ponto.
MLK: Sim, é.
R: Sim é. Mas mesmo assim não vou fazer isso.
MLK: Por que?
R: Herbert, aperte o "play".
H: Pra já!
http://www.youtube.com/watch?v=CMUkfY0W82U
R: I believe the children are our are future, teach them well and let them lead the way. Show them all the beauty they possess inside...
MLK: Give them a sense of pride to make it easier.
H: Let the children's laughter remind us how we used to be...
R: Everybody searching for a hero , people need someone to look up to. I never found anyone to fulfill my needs...
H: A lonely place to be and so I learned to depend on me.
MLK/H: I decided long ago, never to walk in anyone's shadows.If I fail, if I succeed
At least I live as I believe. No matter what they take from me
They can't take away my dignity...
R: Because the greatest love of all is happening to me. I found the greatest love of all inside of me.
MLK: The greatest love of all is easy to achieve...
H: Learning to love yourself, it is the greatest love of all.
R: I believe the children are our future, teach them well and let them lead the way. Show them all the beauty they possess inside. Give them a sense of pride to make it easier, let the children's laughter remind us how we used to be...
MLK: Wow, wow, wow! Tempo! Mas que ****** é essa?
H: Whitney Houston?
MLK: Eu sei que é a ****** da Whitney, seu jegue. O que eu quero dizer é: o que essa música tem haver com nossa conversa? Nada!
R: Bom, acho que é exatamente isso.
MLK: Exatamente o que?
R: As pessoas acham que precisam fazer sentido o tempo todo. É como o "Aquele Dia que Não Deve Ser Mencionado". Se vc passa ele sozinho, mesmo que por livre escolha, se sente mal. Mas não deveria ser assim.
H: Não deveria?
R: Claro que não. Quando vc deixa alguém entrar em sua vida e entra na vida de alguém, é uma grande responsabilidade. Vc pode machucar e se machucar muito. É uma tremenda responsabilidade.
MLK: Então... mas e se nunca acontecer de novo? Não é melhor do que ficar sozinho?
R: Já amou, Sr.King?
MLK: Oh, yeah.
R: Tô falando sério.
MLK: Sim. Já. Já amei.
R: Então, sabe que não existem substitutos. E sabendo disso precisa se manter fiel ao próprio amor.
H: ...
R: Vc entende agora?
MLK: Herbert.
H: Play?
MLK: Play.
http://www.youtube.com/watch?v=iWO0oNgwXfE
ps.
CG: Olá, meu nome é Crispin Glover. Ahn, o (NOME CENSURADO) pediu pra eu fazer esse "ps". O diálogo acima foi fruto de uma conversa altamente filosófica entre (NOME CENSURADO) e sua amiga Ana Lucia.
H: Adorei ela em LOST.
CG: Outra Ana Lucia.
H: *******.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Sliders
Existe uma teoria que toda vez que você lança uma moeda pra cima, vc divide o Universo em dois: em um deles deu cara e no outro deu coroa. Cada decisão criaria um Universo alternativo e isso acontece o tempo todo. Infinitas possibilidades. Conseguem imaginar isso?
H: Não. Quero dizer, sim. Mas não consigo entender. Cabeça dói.
MLK: Qual a praticidade dessa informação? Ainda não jantei e...
E se eu dissesse que descobri um modo de escolhermos em qual destes infinitos Universos podemos estar?
MLK: Eu diria "Woohoo!".
Percepção. Fé. Bastaria a quantidade certa e acredito, realmente acredito, que nossas consciências poderiam passar a existir, na verdade perceber, qualquer um destes Universos específicos. O melhor deles.
MLK: E se vc tentar e não conseguir...
Posso simplesmente concluir que em algum outro lugar existe um Universo onde eu consegui. Ahn, sacaram? É genial ou é genial?
MLK: É genial. Aonde vai? Qual o critério que vai usar para escolher o tal Universo certo?
Hoje, de fato, a menos de uma hora atrás recebi 28 e-mails de 2008. E-mails que eu já havia recebido ano passado. E entre eles, um e-mail da (NOME CENSURADO).
H: (NOME CENSURADO)? Caramba, isso é estranho.
MLK: Não gosto do rumo que essa conversa está tomando.
Se eu acreditar que percepção e principalmente fé é o combustível para essa viagem, como posso negar a importância de coincidências como essa? Agora sabem para onde eu vou.
MLK: Vamos imaginar uma outra situação.
Hm?
MLK: Vc já foi, deu tudo errado e vc conseguiu voltar para exatamente escolher não ir. Essa sua viagem anterior causou o bug temporal dos e-mails de 2008. Uma prova de que tudo isso aconteceu, um aviso pra não fazer isso.
Você já me disse isso.
MLK: Sim. Lá eu também te disse algo semelhante. E o fato de vc ter recebido os e-mails de 2008 significa...
Que eu ouvi e segui o seu conselho, Sr.King.
MLK: Não vá. ESTE é o melhor dos Universos. Herbert, quer me ajudar aqui?
H: As pessoas são a soma de suas qualidades e defeitos, de seus acertos e erros. Tentar corrigir cada coisa é trapacear, é negar quem vc deveria ser. Algumas coisas, algumas pessoas, simplesmente não deveriam ser e por isso vc deve deixar elas irem embora. E se te serve de consolo...
E se me serve de consolo em algum lugar ainda estamos juntos. É isso, não é?
MLK: Então... não vai? Hm, por que está segurando essa moeda?
Calma. Eu ia decidir no cara ou coroa, mas querem saber? Desta vez não vou dividir o Universo. Desta vez a decisão é totalmente minha. O melhor dos Universos é aquele onde as coisas mais importantes não são decididas na sorte. Estou com fome, vou fazer um pudim.
H: Agora essa é uma decisão boa!
H: Não. Quero dizer, sim. Mas não consigo entender. Cabeça dói.
MLK: Qual a praticidade dessa informação? Ainda não jantei e...
E se eu dissesse que descobri um modo de escolhermos em qual destes infinitos Universos podemos estar?
MLK: Eu diria "Woohoo!".
Percepção. Fé. Bastaria a quantidade certa e acredito, realmente acredito, que nossas consciências poderiam passar a existir, na verdade perceber, qualquer um destes Universos específicos. O melhor deles.
MLK: E se vc tentar e não conseguir...
Posso simplesmente concluir que em algum outro lugar existe um Universo onde eu consegui. Ahn, sacaram? É genial ou é genial?
MLK: É genial. Aonde vai? Qual o critério que vai usar para escolher o tal Universo certo?
Hoje, de fato, a menos de uma hora atrás recebi 28 e-mails de 2008. E-mails que eu já havia recebido ano passado. E entre eles, um e-mail da (NOME CENSURADO).
H: (NOME CENSURADO)? Caramba, isso é estranho.
MLK: Não gosto do rumo que essa conversa está tomando.
Se eu acreditar que percepção e principalmente fé é o combustível para essa viagem, como posso negar a importância de coincidências como essa? Agora sabem para onde eu vou.
MLK: Vamos imaginar uma outra situação.
Hm?
MLK: Vc já foi, deu tudo errado e vc conseguiu voltar para exatamente escolher não ir. Essa sua viagem anterior causou o bug temporal dos e-mails de 2008. Uma prova de que tudo isso aconteceu, um aviso pra não fazer isso.
Você já me disse isso.
MLK: Sim. Lá eu também te disse algo semelhante. E o fato de vc ter recebido os e-mails de 2008 significa...
Que eu ouvi e segui o seu conselho, Sr.King.
MLK: Não vá. ESTE é o melhor dos Universos. Herbert, quer me ajudar aqui?
H: As pessoas são a soma de suas qualidades e defeitos, de seus acertos e erros. Tentar corrigir cada coisa é trapacear, é negar quem vc deveria ser. Algumas coisas, algumas pessoas, simplesmente não deveriam ser e por isso vc deve deixar elas irem embora. E se te serve de consolo...
E se me serve de consolo em algum lugar ainda estamos juntos. É isso, não é?
MLK: Então... não vai? Hm, por que está segurando essa moeda?
Calma. Eu ia decidir no cara ou coroa, mas querem saber? Desta vez não vou dividir o Universo. Desta vez a decisão é totalmente minha. O melhor dos Universos é aquele onde as coisas mais importantes não são decididas na sorte. Estou com fome, vou fazer um pudim.
H: Agora essa é uma decisão boa!
Assinar:
Postagens (Atom)

